quinta-feira, 4 de junho de 2009

Influência do teor de umidade dos agregados nas argamassas de revestimento

Quando o processo de produção de argamassa para revestimento é todo realizado no canteiro de obras, uma série de conhecimentos técnicos e cuidados envolvendo mão-de-obra, materiais e equipamentos é necessá­ria para a obtenção de bons resultados. Além de diversas operações a serem planejadas e executadas, existe também a necessidade de se estocar os agregados. Em locais descobertos, como é bem comum, a areia sofre grande variação de teor de umidade, com implicações diretas no volume correto que deve ser misturado durante a produção, de acordo com as especificações da obra.

O presente trabalho aborda a importância de se conduzir a produção respeitando-se especificações de projeto, destacando a influência que a variação da umidade dos agregados no canteiro de obras pode ter em determinadas propriedades das argamassas e no desempenho do revestimento aplicado. Os experimentos foram realizados em laborató­rio, simulando-se condições que podem ocorrer em obra, comparando situações de produção com areia seca e com areia úmida.

Figura 1 - Obtenção de argamassa em obra - cuidados na dosagem, na etapa de produção e na aplicação

Produção de argamassa em obra


Em grande parte das obras, as informações disponí­veis para produção da argamassa de revestimento costumam se resumir à proporção dos materiais em volume, e conta-se com a experiência do pedreiro para conduzir todo o processo. Esse profissional tem grande importância, contribuindo com observações prá­ticas sobre a consistência da argamassa e detalhes da aplicação e do acabamento, mas não se deve entregar a ele a total responsabilidade pela produção. As decisões devem caber sempre ao engenheiro ou ao arquiteto responsá­vel pela obra.

Todo o processo de produção deve ser baseado em um estudo pré­vio, ainda na etapa de planejamento da obra, que considere o projeto arquitetô­nico, condições locais de exposição da construção e condições construtivas especí­ficas. Entre as características do projeto podem ser citadas a espessura final das paredes, o tipo de acabamento desejado da superfí­cie e detalhes como pingadeiras, desenhos em alto ou baixo relevo, frisos e juntas. Entre condições locais de exposição estão o clima e a orientação das fachadas. Entre condições construtivas podem ser citadas características dos blocos que compõem a alvenaria, os equipamentos disponí­veis e, até mesmo, o prazo da obra.

Para produzir argamassa em obra são necessá­rios, portanto, especificações detalhadas, escolha e controle de características dos materiais, treinamento da mão-de-obra envolvida nas operações de dosagem, de produção e de aplicação, incluindo a escolha adequada de equipamentos (figura 1).

Figura 2 - 1) Padiola com areia seca; 2) Areia úmida; 3) Volume excedente devido ao inchamento

Para uma mesma argamassa, modificações aparentemente simples, muitas vezes não planejadas, podem alterar significativamente os resultados desejados. O teor de umidade do agregado, objeto de estudo do presente trabalho, é uma condição importante em todo o processo de execução de um revestimento. A água livre na superfí­cie dos grãos de areia, proveniente do local de extração ou da chuva, provoca o fenô­meno de inchamento, isto é, aumento de volume de uma porção de agregado, por causa do afastamento das partí­culas. O inchamento pode se acentuar quando a areia úmida é manuseada, no enchimento de latas e padiolas, podendo chegar pró­ximo de 30% - a figura 2 ilustra uma experiência prá­tica para visualizar o problema. Por causa desse fenô­meno, é preciso corrigir o volume a ser misturado para manter as proporções especificadas, multiplicando a quantidade de areia seca pelo coeficiente de inchamento (para o inchamento de 25%, por exemplo, o coeficiente de inchamento é igual a 1,25). Não se deve esquecer que, ao mesmo tempo, precisará ser corrigida também a quantidade de água medida para mistura com areia seca, pois parte dela já se encontra na areia úmida.

Vale lembrar que o teor de umidade é um valor percentual relacionado à massa de água contida na areia e que o inchamento refere-se ao volume acrescido na areia por causa dessa mesma água. Tanto um valor como o outro podem ser determinados facilmente em obra ou em laborató­rio, com equipamentos simples. Em tempo seco e ensolarado, a areia exposta nessas condições por alguns dias costuma apresentar teor de umidade até 2%, valor muito pouco significativo para a produção de argamassas. Em dias chuvosos a umidade da areia aumenta, dependendo da precipitação e do tempo de exposição. Para cada teor existe um valor de inchamento, até um valor má­ximo, conforme características granulomé­tricas da areia. De um modo geral, entre os teores de umidade 6% e 10% ocorrem os maiores aumentos de volume, que podem chegar a 30%, ou um pouco acima, valor de grande influência no processo de produção de argamassas em obra.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Drywall decorativo


Na onda da agilidade de execução,os pré-fabricados são essenciais em muitas obras. Além de atenderem às estruturas, em concreto ou aço,e fachadas com painéis de concreto, os pré-fabricados também servem às vedações internas, sendo encontrados nas paredes e, largamente, nos forros de drywall.

O drywall facilita o recorte decorativo do forro com sancas, dentes, cantos, tabicas, molduras e nichos, ou podem ainda ser aplicados para ocultar fios elétricos e tubulações de ar e hidráulicas. Nesse caso, os tradicionais rebaixados de gesso dão espaço a um produto mais leve e sob medida.

Versátil, o sistema de forro em drywall também permite fácil acesso às instalações para manutenção. "São mais leves, de execução rápida e seca, sem formação de entulho e desperdício de materiais, além de mecanicamente estáveis", afirma Carlos Roberto de Luca, consultor técnico da Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall.

Ele admite, contudo, que as desvantagens do forro também são as mesmas das paredes em drywall, como, por exemplo, a dificuldade de manter o gesso acartonado em locais de intensa umidade. "Para essa aplicação existe um tipo especial de placa, denominada RU (Resistentes à Umidade, verdes), para o uso em cozinhas, banheiros e áreas de serviço", sugere.

Outros tipos de chapas disponíveis no mercado são as brancas, para uso geral, conhecidas como ST (Standard), e as resistentes ao fogo (RF), encontradas na cor rosa.

Seja qual for o recorte decorativo, "o ideal é ter o desenho de como vai ser o forro antes da execução", opina a arquiteta de interiores Karina Afonso, experiente na utilização do material. "Para iluminação, gosto de fazer as caixas recuadas de 15 cm x 15 cm. Primeiro colocam-se todos os perfis, depois as placas são encaixadas e parafusadas para, em seguida, serem recortadas, se o recorte não for muito grande", ensina. "Caso haja uma sanca maior, toda a estrutura já é previamente montada com os dentes, para recortar as chapas de drywall como se deseja", completa.

Muitos profissionais também usam o drywall para o recorte de tabicas. "Em prédios muito altos, com as tabicas o risco de que trincas apareçam no forro em conseqüência de movimentações do edifício é menor", diz Karina.

A arquiteta Lívia Caselani Vieira aponta ainda o fato de não ser simples executar o drywall nos forros com recorte arredondado. "Prefiro usar o gesso comum.A estrutura em perfis leves pode ser um obstáculo ao recorte", revela.

Ambas concordam, contudo, que o trabalho tem de ser realizado por um profissional especializado no sistema, pois os desníveis aparecem facilmente. As patologias mais comuns do forro em drywall, além do mofo em locais de maior umidade ou onde as tubulações hidráulicas falham e vazam, são as pequenas fissuras nas juntas.As rupturas podem acontecer devido à movimentação das estruturas, mas na maioria das vezes ocorre devido à colocação feita sem os cuidados técnicos necessários.

Ceará vai construir o maior aquário do Brasil


O Governo do Estado do Ceará vai construir o primeiro aquário internacional da América Latina. O empreendimento projetado pelo arquiteto cearense Leonardo Fontenele ficará localizado na praia de Iracema, em Fortaleza, e deve ser inaugurado em julho de 2010.

Com 21,5 mil m² de área construída, o Acquário Ceará terá quatro pavimentos que abrigarão áreas de lazer, dois cinemas 4D, restaurante, loja de presentes, simuladores de submarino e equipamentos que proporcionam interação entre público e aquário. Além disso, túneis submersos levarão os visitantes ao interior de tanques com capacidade para 15 milhões de litros e milhares de espécies de animais marinhos. O equipamento está orçado em R$ 250 milhões.

A primeira fase da obra consiste na construção da estrutura de concreto no lugar do antigo prédio do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Depois, serão colocados os aquários, que serão de acrílico com cerca de 70 cm de espessura. Na etapa final, a cobertura.

Os investidores esperam que o aquário receba, anualmente, 1,2 milhão de visitantes, gerando uma receita de R$ 21,5 milhões. Como contrapartida aos impactos ambientais gerados pela obra, o governo vai pagar ao município cerca de R$ 7 milhões, que serão investidos no projeto de remodelação de um zoológico já existente em Fortaleza.